#2022EM22 - Metaverso e o eu ideal

Não somos especialistas em fazer previsões sobre o futuro, mas nos consideramos muito atentos e estudiosos do comportamento humano. Como alguns já sabem, para nós, quem não entende de gente não constrói marcas poderosas. Vêm daí nosso interesse e os investimentos que fazemos nessa área e na formação de nossa equipe. É por isso que todo esse frisson acerca do metaverso nos deixou bastante intrigados, como se nele fôssemos encontrar algum ser humano que já não existe entre nós hoje. Não vamos nos atrever a debater sobre o metaverso em si, mas sobre pessoas e sua relação com com seus projetos, aspirações e sonhos.


Há muitos anos, é algo até publicado e de nossa autoria, usamos uma equação aparentemente simples que revela o papel que as marcas têm na vida das pessoas:


Eu atual + Espaço de idealização = Eu ideal


O que essa equação nos mostra é que todos nós temos um eu atual, que corresponde a como nos vemos hoje e, ao mesmo tempo, temos um eu ideal, que é o que gostaríamos de ser mais do que somos hoje ou como gostaríamos de ser vistos. Entre cada um desses ‘’eus’’ há um espaço de idealização que pode ser preenchido de diversas formas. Para estarmos mais próximos de nosso eu ideal podemos viajar, fazer um curso, nos relacionar com alguém ou eleger uma marca, apenas para citar alguns exemplos. Ora, marcas são também o veículo para esse transporte ou um veículo para aproximar pessoas do que elas buscam, rumo ao eu ideal. Em todos os nossos projetos essa é a equação que nos guia. Criar conexões poderosas com marcas para mover pessoas em direção a seus sonhos.


Essa ideia, por mais orgulhosos que sejamos dela, existe bem antes de nós, bem antes do Branding e do Metaverso, nem se fala. Desde Platão,‭ ‬passando pelos estóicos,‭ ‬cristianismo,‭ ‬Hegel e a psicologia,‭ ‬o desejo foi visto como um mover-se em direção a alguma coisa.‭ ‬O desejo é o meio do caminho do que somos e o que queremos ser, ou seja, algo bastante similar à equação acima. A proposta do Metaverso é exatamente essa. Lá, por meio dos avatares, podemos criar um personagem e ser aquilo para onde nosso eu ideal aponta. Comprar uma ilha, consumir marcas diferentes do que faço no dia a dia, ser um investidor mais arrojado ou praticar a poligamia. Na verdade não seremos outra pessoa, apenas estaremos mais próximos de nossos desejos ou fantasias. O que o Metaverso traz é ampliar os espaços para que isso aconteça.


Por fim, é bastante interessante essa discussão que estamos vendo em torno do Metaverso, pois ela praticamente contraria o que mais recentemente vínhamos acompanhando como tendência, das pessoas quererem se ver retratadas pelas marcas como elas realmente são. O Metaverso vem para confirmar exatamente o contrário e, nesse sentido, está bastante alinhado com a filosofia e a psicologia: o que move as pessoas são os desejos, a busca por aquilo que nos falta. Como falamos, não sabemos prever o que acontecerá com o Metaverso, mas ele abre espaço para estarmos mais próximos do eu ideal e para essa visão ingênua de apenas retratos reais ficar no passado.