#2022EM22 - Iniciativa com "acabativa"

Uma vez, conversando com o terapeuta junguiano Roberto Gambini, ele nos trouxe uma ideia que nunca saiu de nossas cabeças: “o brasileiro é muito bom de iniciativa, mas é ruim de 'acabativa'''. O que ele nos dizia era que somos um povo fértil de ideias novas, mas, muitas vezes, na hora de materializá-las, pecamos e não vamos até o final. O que era para ser algo poderoso, morre na praia antes de ser completado.


Nas empresas, nos negócios e também em Branding esse é um grande pecado que vemos diariamente acontecer nas empresas e na gestão de marcas. Muitas iniciativas são desenhadas, discutidas e acordadas, mas, na hora do vamos ver, nada acontece! Sem essa materialização torna-se apenas uma carta de intenções mas que ficou presa ao papel e não ganhou vida além disso. Por isso, ao desenvolver plataformas de marcas, tão importante quanto termos insights, posicionamentos e propósito relevantes, é termos um real plano de ação de como a promessa da marca será efetivamente entregue, que atividades serão implantadas, em qual sequência, com quais públicos, etc. Sem isso, paramos nas iniciativas e não avançamos nas acabativas, o Branding voa, mas não aterrissa e ficamos no meio do caminho. As marcas que têm valor são exatamente aquelas que vencem esse nosso traço cultural brasileiro, furam a bolha e avançam para tornar as estratégias em ações. É curioso ver que, apesar dessa importância, ainda vemos muitas empresas gastando horas e horas em reuniões de aprovação da estratégia e relegam sua execução como uma coisa menor. Ligam o modo automático e aquilo que parecia maravilhoso como ideia não se efetiva na prática. Uma pena.


Peter Drucker tem uma frase maravilhosa que também nos faz pensar sobre esse tema: “culture eats strategy for breakfast”. Em outras palavras, o que ele nos ensina é que, se a cultura não for algo que abrace e incentive a estratégia, ela irá morrer logo na largada. Ou seja, a "acabativa'' do Branding depende desse compromisso da empresa com a execução, que começa com a própria cultura. Menos “enrolation” e mais ação. Uma outra referência bem brasileira e que vai na mesma direção é a frase dita pelo Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite. A ideia era a de efetivamente entregar a missão que havia sido programada. Nos lembramos dessa frase em quase todos os projetos de Branding que conduzimos, ou seja, assumir o compromisso de fazer o plano da marca acontecer.


Afinal, Branding é verbo e precisa de ações, certo?